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| O vereador Fábio Câmara do PMDB |
Ele não tem Sarney, Lobão ou Murad no sobrenome. Entrou no PMDB do Maranhão com a função de limpar os banheiros da sede do diretório estadual. Hoje, está prestes a ser confirmado como candidato a prefeito da capital.
Fábio Câmara, vereador em São Luís e pré-candidato à prefeitura da capital maranhense, faz parte de uma nova leva de candidatos que o PMDB apresentará nestas eleições municipais.
Com seus principais caciques investigados na Operação Lava Jato desgastados por derrotas nas últimas eleições, o partido do presidente interino, Michel Temer, apostará numa renovação de quadros na disputa deste ano.
Com candidatos lançados em 18 capitais, os peemedebistas terão 13 nomes que nunca disputaram o cargo de prefeito.
Nove deles disputarão pela primeira vez uma eleição majoritária, incluindo candidaturas em grandes centros como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Belém.
Em São Luís, pela primeira vez em o PMDB terá um candidato a prefeito que cresceu politicamente fora da órbita da família Sarney, em baixa desde a derrota para o governador Flávio Dino (PCdoB) em 2014.
De origem pobre, o vereador Fábio Câmara lançou sua pré-candidatura em meio a um vácuo de novos líderes no PMDB. E deve ser confirmado na disputa, mesmo sem o apoio expresso dos principais caciques do partido.
“Sei que fujo do padrão de candidato do partido, não sou de família tradicional. Mas não estou preocupado se terei o apoio do senador [Edison] Lobão ou da ex-governadora Roseana [Sarney]. A minha força virá do povo de São Luís”, afirma.
Em Belém, terra do senador Jader Barbalho, o partido também vai apostar em uma novidade para as eleições deste ano.
A sigla deixou de lado a pré-candidatura de José Priante, primo de Barbalho, e indicou o nome de Carlos Maneschy, ex-reitor da Universidade Federal do Pará.
Será a estreia de Maneschy nas urnas.
“Buscamos um novo quadro, sintonizado com o desejo de mudança da população, mas que ao mesmo tempo foi testado e aprovado como gestor da maior universidade da Amazônia”, diz Helder Barbalho (PMDB), ministro da Integração Nacional.
BELO HORIZONTE
Também haverá novidade em Belo Horizonte, onde a legenda vai disputar a prefeitura da capital mineira com o advogado Rodrigo Pacheco, deputado federal em primeiro mandato.
Pacheco foi escolhido após disputa interna com o deputado federal Leonardo Quintão, que já havia disputado a prefeitura em 2008.
“Esta é uma eleição que estabelece novos parâmetros, com uma campanha mais curta e sem dinheiro de empresas. O momento é de renovar e mostrar uma nova forma de fazer política”, afirma o peemedebista, que promete fazer uma campanha “com poucos recursos e boas propostas”.
VELHOS NOMES
Na contramão das novas candidaturas, em Boa Vista, a prefeita Teresa Surita –ex-mulher e aliada do senador Romero Jucá (PMDB)– tentará eleger-se para o que seria o seu quinto mandato à frente da prefeitura da capital de Roraima.
Já em Goiânia, Iris Rezende anunciou que não vai disputar a prefeitura pela quarta vez.
RECÉM-FILIADOS
Em Estados como São Paulo e Alagoas, o caminho para o PMDB lançar um nome na disputa pela prefeitura foi a conciliação com antigos adversários convertidos em “cristãos novos” no PMDB.
Na capital paulista, a sigla de Michel Temer aposta na candidatura da senadora –e ex-petista– Marta Suplicy.
Em Maceió, reduto do presidente do Senado, Renan Calheiros, o PMDB lançou o ex-prefeito Cícero Almeida, também recém-peemedebista.
Apesar de não serem adversários, ambos estiveram em lados opostos em 2004 e 2008 em Maceió, quando Almeida foi eleito e reeleito sem o apoio de Renan.
Adversários classificam a aliança alagoana como “um casamento de conveniência”. Almeida nega: “Sempre tive um bom relacionamento com o senador Renan. Ele me ajudou em muito momentos difíceis”, afirma.
Deputado federal licenciado e com passagem por oito partidos, Almeida é réu em uma ação penal no STF por suposto envolvimento na Máfia do Lixo de Maceió. Ele nega as acusações e diz que vai provar sua inocência.

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