Policial militar envolvida na morte de uma mulher em São Paulo teve reajuste salarial de R$ 480

PM de São Paulo (Foto: Alex Fernandes/Governo de São Paulo via ABr)
247 - A policial militar envolvida na morte de uma mulher na zona leste de São Paulo teve o salário ajustado após mudança na legislação estadual, enquanto segue afastada das ruas e sob investigação. A Secretaria da Segurança Pública afirma que não houve promoção, mas apenas equiparação salarial decorrente de nova lei que unificou cargos na corporação, informa o G1.
Segundo a Secretaria, a alteração ocorreu após a sanção da Lei nº 18.442, de 2 de abril de 2026, que extinguiu a divisão entre soldados de 1ª e 2ª classe, padronizando a nomenclatura como “Soldado PM”. A pasta ressaltou que o reajuste de R$ 480 foi automático e aplicável a todos os policiais que estavam na antiga 2ª classe.
A soldado permanece afastada de suas funções enquanto é investigada pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A corporação também destacou que não existe a função de “estagiário” na instituição, explicando que, após o período como aluno-soldado, o policial já passa a atuar como soldado.
Disparo ocorreu após discussão
O caso ocorreu no início do mês, em Cidade Tiradentes. Thawanna foi baleada durante uma abordagem policial na madrugada, quando caminhava com o marido. O contato do braço do homem com o retrovisor de uma viatura deu início à situação.
Após o toque no veículo, o policial que dirigia a viatura deu ré e questionou o casal, o que evoluiu para uma discussão. A policial que estava no banco do passageiro desceu do carro.
Imagens registradas pela câmera corporal do motorista mostram o momento em que Thawanna pede para que a policial não aponte o dedo em sua direção. Em seguida, ocorre o disparo.
Na gravação, o policial que conduzia a viatura reage: “Você atirou? Você atirou nela? Por quê, ca***?”. A colega responde: “Ela deu um tapa na minha cara”.
Demora no resgate é investigada
Após o disparo, o socorro demorou cerca de 30 minutos para chegar ao local. O pedido de resgate foi feito imediatamente pelo policial por meio do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).
Apesar disso, a central do Corpo de Bombeiros só foi acionada cerca de cinco minutos depois. Durante a espera, o policial voltou a solicitar urgência no atendimento: “Reitero o resgate, Copom”.
A situação se agravou ao longo dos minutos. Em determinado momento, o agente demonstra preocupação com o estado da vítima: “O resgate vai demorar? Já está ficando branco o lábio dela. Cadê o resgate?”.
A ambulância chegou ao local por volta das 3h30, cerca de meia hora após o pedido inicial. Thawanna foi levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
Causa da morte e investigação
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou hemorragia interna aguda como causa da morte. Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmaram que o atraso no atendimento contribuiu para o agravamento do quadro, já que o sangramento não foi controlado rapidamente.
A Polícia Civil investiga não apenas as circunstâncias do disparo, mas também a possível demora no socorro à vítima.
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